Sangue nas ruas preocupa moradores da Vila Gustavo Correia

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Água vermelha tem aparecido durante chuvas fortes, em meio à enchente. Moradores desconfiam de frigorífico que há no bairro

Por: Caroline Rossetti

Os moradores da Vila Gustavo Correia tem presenciado uma situação incomum durante as fortes chuvas, sangue em meio à enchente. A água vermelha tem aparecido nos últimos dias, tomando as ruas, e a desconfiança é de que o Frigorífico Raja, que há no bairro, tem despejado o sangue dos porcos irregularmente.

Um dos dias em que o sangue apareceu na rua Laérte Cearense, em frente à EE Josué Mattos de Aguiar, foi na segunda-feira passada, 3/2. A situação foi percebida após uma pancada de chuva. O esgoto, que volta nas guias, devido ao bairro ser abaixo do nível do Rio Tietê, parou no meio-fio em frente à escola cheio de sangue.

Na manhã desta segunda-feira, 10/2, o sangue apareceu novamente, misturado à enchente, que tomou as ruas do bairro com as fortes chuvas. O alagamento, com lama e sangue, fez com que a rua Alfredo Marcondes virasse um mar vermelho.

À esquerda, sangue aparece em frente à escola do bairro no dia 3/2. À direita, enchente vermelha nesta segunda, 10/2/ Fotos: Leitores CnR

O frigorífico fica na avenida Francisco Pignatari, número 17, nos fundos da vila. Os moradores contaram ao Carapicuíba na Rede que a impressão é que a atitude é tomada para que o despejo irregular passe batido em meio à água da enchente. Além do sangue, também há relatos de mau cheiro vindo do frigorífico, que tomam a região diariamente.

Os moradores alegam que o frigorífico construiu um portão no final da rua Alfredo Marcondes, o que está piorando os alagamentos. Na última enchente, no sábado, 1/2, a estrutura chegou a ser forçada, para dar vazão à água na via.

Na semana passada, os moradores acionaram técnicos da Sabesp. A equipe realizou vistoria nos bueiros, mas, como a água já havia baixado, o material não foi encontrado. Na data, um dos responsáveis pelo frigorífico também esteve no local, também após a água baixar. “Ele disse que podia ser que algum funcionário tivesse aberto algum registro errado, fazendo com que o sangue fosse despejado no esgoto. E se colocou à disposição para eventuais problemas”, contou uma munícipe.

O que dizem as partes

O Carapicuíba na Rede procurou órgãos de fiscalização sanitária para saber o que será feito diante da situação.

A prefeitura de Carapicuíba, à quem cabe a aplicação de multa em caso de irregularidades, afirmou que uma equipe da Vigilância Sanitária esteve na Vila Gustavo Correia para verificar a denúncia na tarde desta segunda-feira, 10/2. Foi pontuado que os procedimentos do frigorífico foram verificados. Porém, como a documentação legal da empresa foi emitida pelo Ministério da Agricultura, foi solicitado que o órgão venha até o município para fazer uma nova visita no local em conjunto com a gestão municipal, o que deve ocorrer nos próximos dias.

A Sabesp e a Cetesb disseram que estão analisando o caso. Já o Frigorífico Raja não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Histórico do mau cheiro

Em abril de 2018, o Ministério Público limitou o abate no Frigorífico Raja. Na época, foi imposto o número máximo de 800 porcos por dia, com aplicação de multa de R$ 1 mil em caso de descumprimento (relembre). A ativista Luisa Mell também já se manifestou com relação às atividades do local, em janeiro de 2019 (leia).

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