Professor atingido por balde de lixo afirma que agressões se agravaram este ano

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Caso aconteceu na mesma escola dos alunos que agrediram uma professora, no fim de maio

Depois do caso dos alunos que depredaram uma sala de aula e agrediram verbalmente uma professora da EE Maria de Lourdes Teixeira, no fim de maio, os relatos de docentes que passam diariamente por situações parecidas começaram a vir à tona.

Nos últimos dias, circulou nas redes sociais outro vídeo, da mesma escola, em que um professor é atingido por um balde de lixo, colocado pelos alunos em cima da porta da classe.

Dois vídeos foram divulgados, um com a aluna colocando o balde de lixo em cima da porta e o segundo do objeto caindo no professor/Fotos: Redes sociais

O Carapicuíba na Rede conversou com o professor de Geografia, que passou pela situação causada por uma turma do 8º ano, no início de maio. Assim como o caso da quinta-feira, 30/5 (relembre), a ação foi filmada pelos próprios estudantes.

O professor comentou que, a partir deste ano, as agressões, infelizmente, se agravaram, mas que estes foram casos isolados. “Os alunos são bons no geral, mas, claro, eles são adolescentes e, como todos, cometem seus desencontros nesta fase da vida”, disse.

Com carinho na fala, o mestre comenta que o ambiente na EE é de companheirismo e comprometimento dos educadores, que sempre têm o apoio da coordenação, direção e mediadores para resolver conflitos. Ele afirma que um número adequado de funcionários, como inspetores de alunos, poderia melhorar o desenvolvimento de atividades em sala de aula.

O educador ainda falou que está há seis anos na rede estadual de ensino e que tem prazer em dar aulas. “Estar em sala é uma satisfação. É ali que acontece a transformação dos jovens, por meio do conhecimento que é transmitido”, disse orgulhoso.

O professor contou ao CnR que, após os episódios, toda a equipe escolar está empenhada em manter o ambiente o mais harmonioso possível, sendo ‘um local de construção de pessoas em pleno desenvolvimento acadêmico, humano e social’.

Constrangimento de professores não é exclusivo à EE Maria de Lourdes 

O CnR conversou com outro professor de Geografia da rede estadual. O relato é de que, no começo deste ano, uma estudante do 9º ano da EE Prof Celestino Correia Pina, na Cohab 2, tirou uma foto do educador sem autorização. A imagem circulou por aplicativo de mensagens com a legenda de ‘nóia’ (drogado).

Com a difamação, o professor fez um Boletim de Ocorrência contra a aluna no 3º DP de Carapicuíba. A turma não gostou da atitude e colocou mesas sobre a porta para que caíssem no mestre, mas, ao entrar na sala os móveis foram empurrados pelo professor e atingiram o chão.

O profissional da educação conta que, depois de uma semana, a coordenação chamou a mãe da menina para conversar sobre o caso, mas ela não apareceu. Depois de dias, a responsável foi até a diretoria porque a jovem dizia estar com vergonha de ir para a escola, porém, a estudante não foi punida.

Lecionando há seis anos na rede estadual, o professor conta que enfrentam dificuldades diariamente. “Somos cobrados constantemente, porém não temos os recursos necessários para dar aulas”, disse.

Na rede, a falta de investimento é comentada pelos corredores das escolas. Há alguns anos, educadores dizem que as verbas de materiais básicos estão sendo cortadas, como para a compra de papéis, no geral, incluindo desde sulfite até papel higiênico. Como também para manter impressoras e câmeras de monitoramento, que tiveram não tiveram o contrato renovado com a empresa terceirizada.

Na semana do vídeo de agressão na EE Maria de Lourdes, o diretor da Apeoesp contou ao CnR sobre os livros didáticos, que não estão sendo entregues para todos os alunos, já que o estado está enviando para as escolas com exemplares faltando. “Chegamos a um ponto que o único recurso do professor para dar aula é giz e lousa. Ainda assim, há casos de profissionais que tem até que levar o giz, por conta de não ter na escola devido aos cortes do governo”, lamentou.

Governo diz que tomará atitudes

Após a repercussão do caso da professora de Português, a Secretaria de Educação Estadual afirmou, na semana passada, que os pais deverão ser punidos por danos causados ao patrimônio escolar, sem ter entrado em detalhes.

Também, foi afirmado que oito novos agentes de organização escolar (inspetores de aluno) serão convocados para preencher as vagas existentes na EE Maria de Lourdes Teixeira. A ação será tomada mediante um concurso público, que já foi realizado. O CnR questionou a pasta sobre quando os funcionários assumirão o cargo, mas, não recebeu respostas até o fechamento desta reportagem.

Dos alunos envolvidos na agressão da professora, três deles foram transferidos para a Fundação Casa. Os outros seis envolvidos foram liberados e devolvidos aos pais na noite de terça-feira, 4/6. O décimo estudante, que não se apresentou à justiça, foi dispensado.

Em resposta ao CnR, o Ministério Público de Carapicuíba classificou como lamentável o comportamento de alunos contra o corpo docente da escola e o patrimônio público estadual. Foi afirmado que, assim que os estudantes envolvidos foram identificados pelo 1º DP, o MP pediu a internação provisória deles, por considerar grave a postura dos jovens e dos responsáveis durante depoimento na Promotoria de Justiça, ‘além das irreparáveis consequências psicológicas na professora’.

Assim, a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Carapicuíba afirmou que entrará com recurso no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para que a internação seja estendida para os dez alunos envolvidos.

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