Cetesb e Sabesp fazem vistoria na Vila Gustavo Correia

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Companhias afirmaram que houve o extravasamento da rede de esgoto, frigorífico joga resíduos, por isso o aparecimento de sangue em meio à enchente

Por: Caroline Rossetti

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) realizaram vistorias na Vila Gustavo Correia esta semana, depois da denúncia do aparecimento de sangue em meio à enchente que atingiu o bairro na segunda-feira, 10/2. De acordo com ambos os órgãos, a água vermelha tomou as ruas por conta do transbordamento da rede de esgoto, onde o Frigorífico Raja joga o material da produção depois de a substância passar por tratamento.

Sangue foi visível nas ruas do bairro durante o alagamento de segunda, 10/2/ Fotos: Leitor CnR

A Cetesb afirmou ao Carapicuíba na Rede que um técnico da companhia esteve no bairro na terça-feira, 11/2. A vistoria constatou que o Frigorífico Raja Ltda trata os efluentes líquidos industriais do abate de porcos na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) própria – um dos requisitos ambientais para o funcionamento do estabelecimento. E que, posteriormente, o material é lançado na rede coletora de esgoto da Sabesp.

Segundo a companhia, o que houve na segunda-feira, 10/2, foi que com as chuvas atípicas de volume acima do esperado, a rede de esgoto foi inundada com a elevação do nível do rio, o que causou o extravasamento do sistema. A Sabesp também afirmou que houve o transbordamento da rede, e apontou que diversos imóveis da vila despejam a água da chuva no esgoto, e não na tubulação de águas pluviais, o que sobrecarrega o sistema.

Por lei, para o esgoto devem ir os resíduos de vaso sanitário, chuveiro, pias e tanque, que são encaminhados para tratamento na Sabesp; já a água de chuva coletada dos telhados, calhas e ruas tem que ir para as galerias de águas pluviais da prefeitura, que podem ser direcionadas para córregos e rios.

A Cetesb afirmou que, após as vitorias, o Frigorífico Raja entrou em contato com a Sabesp e solicitou o envio de um caminhão tanque limpa fossa, para retirada do efluente tratado, para não lançar o líquido na rede de esgoto.

A Sabesp, por sua vez, ressaltou que a apuração dos procedimentos adotados no matadouro cabe aos órgãos de fiscalização. A Cetesb pontuou que prosseguirá com as ações de controle e fiscalização, até que a situação no matadouro seja regularizada e ocorra dentro dos parâmetros ambientais.

Procurada pelo CnR, a prefeitura reforçou que a visita em conjunto com o Ministério da Agricultura, que expediu a licença do frigorífico, ocorrerá nos próximos dias.

Leia mais sobre o assunto

O aparecimento de sangue em dias de pancadas de chuva e, consequentes, enchentes na Vila Gustavo Correia foi percebido por moradores nas últimas semanas. No dia 3/2, a água avermelhada foi vista nas guias da rua Laérte Cearense, em que fica a escola estadual. Já na segunda-feira, 10/2, o sangue se misturou ao alagamento, que atingiu praticamente o bairro todo. Relatos são de que o sangue apareceu depois que a água já havia subido e tomado as ruas, durante a madrugada e a manhã (saiba mais).

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