Alunos depredam sala e desacatam professora

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Ação, na EE Maria de Lourdes Teixeira, foi registrada em vídeo pelos próprios estudantes

Por: Caroline Rossetti

Um vídeo com alunos da EE Maria de Lourdes Teixeira, do bairro Altos da Santa Lucia, depredando uma sala de aula e desacatando uma professora tem circulado nas redes sociais nos últimos dias. A ação, registrada pelos próprios estudantes, chegou ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que afirmou que tomará medidas diante do caso.

As imagens mostram alunos de uma turma de 7º ano, do período da manhã, atacando verbalmente, xingando, jogando livros e papéis da professora de Língua Portuguesa pela sala, enquanto o estudante que grava o vídeo ri e incentiva o desacato. Após a educadora deixar a sala, sem conseguir controlar a situação, os mesmos alunos jogam, chutam e depredam carteiras, se vangloriando da atitude.

Imagens mostram parte dos alunos da turma brigando com a professora. Depois que ela sai da sala, os estudantes comemoram atirando carteiras para cima/Fotos: Redes sociais

Nesta sexta-feira, 31/5, a Apeoesp de Carapicuíba recebeu a denúncia do caso, que ocorreu na quinta-feira, 30/5. Em conversa com o Carapicuíba na Rede, o diretor da unidade, Fábio Santos, contou que a mesma turma apresentou mais um episódio de desrespeito com professores da escola também nesta semana.

O diretor do sindicato informou que, por causa dos constantes quadros de indisciplina, o Conselho Tutelar esteve na escola há 15 dias e fez uma palestra com a presença de pais e alunos. Porém, a ação não surtiu efeito, já que os casos voltaram a se repetir.

A denúncia foi encaminhada ao setor jurídico da Apeoesp, na capital, para oferecer um respaldo aos professores da turma. Com relação aos alunos, o sindicato discutirá quais políticas serão tomadas em conjunto com a Diretoria de Ensino de Carapicuíba e o Conselho Tutelar e, se não houver solução, o caso será levado para a Secretaria de Educação do estado.

“Não será nada punitivo, mas precisamos de ações mais efetivas diante da situação, ou colocando dois professores em sala ou oferecendo atendimento psicológico aos alunos, para entendermos o porquê de tantas agressões”, enfatizou o diretor da Apeoesp de Carapicuíba.

A EE Maria de Lourdes Teixeira fica na estrada do Jacarandá, no bairro Altos da Santa Lucia, e é considerada pelo sindicato dos professores como de grande porte. A escola tem 22 turmas em cada período – manhã, tarde e noite – e apenas um inspetor de aluno, o que também é apontado pela Apeoesp como agravante para o controle de disciplina dos estudantes.

Agressões a professores se multiplicam

Professores da rede estadual que trabalham em Carapicuíba comentam que, nos últimos anos, casos de desrespeito a profissionais da área têm se multiplicado. O cenário fica claro com os dados divulgados sobre agressões cometidas por alunos contra professores.

Segundo levantamento divulgado em março deste ano pela GloboNews, em 2018 o número de professores da rede estadual agredidos em sala de aula foi de 434, representando um aumento de 73% na comparação com 2017, quando foram registrados 251 casos, total que também foi maior do que os três anos anteriores. Desde 2014, as escolas estaduais contam com o Registro de Ocorrência Escolar (ROE), tendo 237 relatos de agressões naquele ano.

Ao G1, a Secretaria de Educação informou que implantou, em 2009, o Sistema de Proteção Escolar. A iniciativa colocou professores mediadores nas escolas, para cuidar de casos de indisciplina, e manuais de apoio aos gestores, para orientar em conflitos de professores e alunos.

Outros dados, também divulgados em março, pela revista Veja, apontam que o Brasil é o país mais violento para professores. A pesquisa, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2013, mostra que 12,5% dos educadores brasileiros ouvidos pela organização relataram sofrem agressões verbais e intimidação dos alunos pelo menos uma vez por semana. A análise foi feita em 34 países e o Brasil ficou na lanterninha, atrás de Estônia, com 11%, e a Austrália, com 9,7%. O índice ficou zerado na Coreia do Sul, Malásia e Romênia.

10 COMENTÁRIOS

  1. O problema está em não haver punição. Depredar patrimônio público é crime . É só ler o art 116 do ECA e o art 163 da lei 2848 sobre depredação de patrimônio público. O dia que houver punição diminui tanto as agressões a professores, quanto a depredação das escolas. Chega de passar a mão na cabeça dessas pessoas.

  2. Mas, esses alunos já deveriam ser punidos com suspensão coletiva, no mínimo! Ou os principais lideres negativos suspensos, depois trocados de classe e horário, se possível e depois “transferidos” para outras unidades! Estão fazendo o q bem entendem, desrespeitando a todos e nada acontece!

  3. Como assim “não será nada punitivo”?
    Vão passar a mão na cabeça dos coitadinhos,???
    Punição exemplar para alunos e pais também, para que assim a situação tenha reflexo dentro da casa dos deliquentes, que é o lugar de fato , onde deve-se ser dado a educação seja na conversa ou na porrada dependendo do caso.

  4. “Não será nada punitivo”.
    Então nada vai mudar, se já foi feita palestra com os pais e os alunos então está na hora de fazer os pais responderem judicialmente por isso.

    • Excesso de liberdade dos alunos e a falta de liberdade do professor em punir os alunos(marginais) envolvidos.
      Escolas militares, já! A presença do exército brasileiro inibiria estes marginais mirins

  5. Tai uns que mereceriam ir para um colegio militar ou passar por um processo como um que tem nos Estados Unidos chamado de TRATAMENTO DE CHOQUE . Deem uma olhadinha no youtube para vcs verem como os sementinhas do mal ficam , e funciona viu

  6. Não resolve por mais funcionarios hoje as escolas têm que ter um policial porque muitos atos não são daqueles que se dizem alunos. Sala de aula sinal de respeito aprendizado e hoje virou lugar de baderna desrespeito ao ser humano. Todo lugar eles respeitam menos a sala de aula e professores.

  7. O que tem que ser feito com esses delinquentes é austeridade, punir e excluir eles do convívio escolar, e fazer eles limparem banheiros públicos em praça, quarteis e hospitais nos finais de semana, a justiça tem que filmar esses serviços e postar no facebook, para que possíveis marginais iguais a esses repensem se tiverem a vontade de fazer isso um dia !!

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